seg, 03 ago 2026
Sociedade

Persiste desafios da Igualdade de género no mercado de trabalho em Angola

Feito por Maria Orlando

(aspirante de jornalismo pela FSVC)

 

Apesar dos progressos alcançados nas últimas décadas, a igualdade de género no mercado de trabalho continua a representar um dos maiores desafios para o desenvolvimento económico e social em Angola e em diversos países. Especialistas defendem que, embora homens e mulheres tenham conquistado importantes direitos, persistem desigualdades salariais, dificuldades de acesso a cargos de liderança e barreiras à progressão profissional das mulheres.

Segundo dados divulgados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e pela ONU Mulheres, as mulheres continuam a receber, em média, remunerações inferiores às dos homens pelo desempenho de funções equivalentes. Além disso, a responsabilidade desproporcional pelos cuidados familiares continua a limitar o crescimento profissional de muitas trabalhadoras.

Para a socióloga Ana Domingos, a igualdade de género vai além da garantia de direitos formais.

"Não basta que homens e mulheres tenham acesso ao mercado de trabalho. É necessário assegurar que ambos tenham as mesmas oportunidades de crescimento, remuneração e participação nos processos de decisão dentro das organizações", afirma.

Em Angola, embora tenham sido registados avanços na participação feminina em diferentes sectores da economia, muitas mulheres continuam sub-representadas em cargos de chefia e direção. Analistas consideram que fatores culturais, sociais e institucionais ainda dificultam uma participação mais equilibrada entre homens e mulheres no mundo do trabalho.

O professor e economista Carlos Manuel, especialista em políticas públicas, defende que promover a igualdade de género também representa uma estratégia para impulsionar o desenvolvimento económico.

"Empresas que valorizam a diversidade e a igualdade tendem a ser mais inovadoras, produtivas e competitivas. Garantir oportunidades iguais não é apenas uma questão de justiça social, mas também de eficiência económica", explica.

Especialistas apontam ainda a educação como um dos principais instrumentos para reduzir as desigualdades. Desde os primeiros anos de escolaridade, defendem que rapazes e raparigas devem ser incentivados a escolher as suas carreiras com base nas suas capacidades e interesses, sem limitações impostas por estereótipos de género.

Nos últimos anos, várias empresas públicas e privadas têm implementado políticas de inclusão, igualdade salarial, programas de desenvolvimento profissional e licenças parentais mais equilibradas. Estas iniciativas procuram criar ambientes laborais mais justos e incentivar uma maior participação das mulheres em funções de liderança.

Apesar dos desafios persistentes, organizações internacionais e especialistas acreditam que o fortalecimento das políticas públicas, a fiscalização das práticas laborais e a mudança de mentalidades poderão acelerar a construção de um mercado de trabalho mais justo, inclusivo e igualitário.

A promoção da igualdade de género é considerada um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas e continua a ser apontada como um fator essencial para o crescimento económico, a redução da pobreza e a construção de sociedades mais equitativas.

Foto: Maria Orlando