Persiste desafios da Igualdade de género no mercado de trabalho em Angola
Feito por Maria Orlando
(aspirante de jornalismo pela FSVC)
Apesar dos progressos alcançados nas últimas décadas, a igualdade de género no mercado de trabalho continua a representar um dos maiores desafios para o desenvolvimento económico e social em Angola e em diversos países. Especialistas defendem que, embora homens e mulheres tenham conquistado importantes direitos, persistem desigualdades salariais, dificuldades de acesso a cargos de liderança e barreiras à progressão profissional das mulheres.
Segundo dados divulgados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e pela ONU Mulheres, as mulheres continuam a receber, em média, remunerações inferiores às dos homens pelo desempenho de funções equivalentes. Além disso, a responsabilidade desproporcional pelos cuidados familiares continua a limitar o crescimento profissional de muitas trabalhadoras.
Para a socióloga Ana Domingos, a igualdade de género vai além da garantia de direitos formais.
"Não basta que homens e mulheres tenham acesso ao mercado de trabalho. É necessário assegurar que ambos tenham as mesmas oportunidades de crescimento, remuneração e participação nos processos de decisão dentro das organizações", afirma.
Em Angola, embora tenham sido registados avanços na participação feminina em diferentes sectores da economia, muitas mulheres continuam sub-representadas em cargos de chefia e direção. Analistas consideram que fatores culturais, sociais e institucionais ainda dificultam uma participação mais equilibrada entre homens e mulheres no mundo do trabalho.
O professor e economista Carlos Manuel, especialista em políticas públicas, defende que promover a igualdade de género também representa uma estratégia para impulsionar o desenvolvimento económico.
"Empresas que valorizam a diversidade e a igualdade tendem a ser mais inovadoras, produtivas e competitivas. Garantir oportunidades iguais não é apenas uma questão de justiça social, mas também de eficiência económica", explica.
Especialistas apontam ainda a educação como um dos principais instrumentos para reduzir as desigualdades. Desde os primeiros anos de escolaridade, defendem que rapazes e raparigas devem ser incentivados a escolher as suas carreiras com base nas suas capacidades e interesses, sem limitações impostas por estereótipos de género.
Nos últimos anos, várias empresas públicas e privadas têm implementado políticas de inclusão, igualdade salarial, programas de desenvolvimento profissional e licenças parentais mais equilibradas. Estas iniciativas procuram criar ambientes laborais mais justos e incentivar uma maior participação das mulheres em funções de liderança.
Apesar dos desafios persistentes, organizações internacionais e especialistas acreditam que o fortalecimento das políticas públicas, a fiscalização das práticas laborais e a mudança de mentalidades poderão acelerar a construção de um mercado de trabalho mais justo, inclusivo e igualitário.
A promoção da igualdade de género é considerada um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas e continua a ser apontada como um fator essencial para o crescimento económico, a redução da pobreza e a construção de sociedades mais equitativas.
Foto: Maria Orlando
