qua, 16 set 2026
Sociedade

Gravidez na adolescência em Angola cai para 27,1% mas continua acima da média da África Subsaariana

A prevalência da gravidez na adolescência em Angola caiu de 34,5% para 27,1% numa década, mas continua acima da média da África Subsaariana, estimada em 18%, anunciou hoje o Instituto Nacional de Estatística (INE).

De acordo com dados apresentados pelo INE, a prevalência da gravidez na adolescência, em raparigas de 15–19 anos, em Angola, diminuiu 21,5%, passando de 34,5% no Inquérito de Indicadores Múltiplos e de Saúde (IIMS 2015-2016) para 27,1% no IIMS 2023-2024.

O Instituto Nacional de Estatistica refere que a queda da gravidez na adolescência, nesse período, mantém Angola acima da média da África Subsaariana, estimada em 18%, sendo inferior à observada em Moçambique (36%) e na Zâmbia (28%), mas superior à da Tanzânia (23,4%), Camarões (23%) e Gabão (22,9%).

Os dados vêm descritos no Relatório Temático sobre Fecundidade na Adolescência em Angola, tornado público nesta terça-feira em Luanda pelo Instituto Nacional de Estatística, e revelam que a prevalência é mais alta nas áreas rurais e entre adolescentes sem nenhum nível de escolaridade.

Por províncias, os resultados evidenciam quedas expressivas em Malanje (menos 24,4 pontos percentuais), Lunda Sul (menos 23,2 pontos percentuais), Huíla (menos 19,7 pontos percentuais) e Cunene (menos 14,6 pontos percentuais).

A província de Luanda apresenta a prevalência mais baixa (21,2% no IIMS 2015-2016 e 13,9% no IIMS 2023-2024), "o que pode refletir maior acesso a serviços de saúde e educação", salienta-se.

Províncias como Cuanza Sul (51,4%), Cuanza Norte (41,3%) e Cuando-Cubango (44,0%) mantiveram prevalências elevadas no IIMS 2023-2024, enquanto na província do Bengo, observou-se aumento de 2,7 pontos percentuais.

Segundo a análise, Angola demonstrou "progressos relevantes, mas a persistência de valores elevados em determinadas regiões e a disparidade entre províncias reforçam a necessidade de estratégias diferenciadas e focalizadas para acelerar a redução da gravidez na adolescência".

Quanto à taxa de fecundidade, esta diminuiu 25,2%, passando de 163 por 1.000 adolescentes no IIMS 2015-2016 para 122 por 1.000 no IIMS 2023-2024.

A redução foi significativamente maior nas áreas urbanas (33,3%) em comparação com as áreas rurais (18,4%), onde os níveis permanecem elevados, atingindo 195 por 1.000 adolescentes em 2023-2024.

Do total de adolescentes registadas nos dois inquéritos, 3.444 e 3.874 respectivamente, sete em cada dez viviam em áreas urbanas.

A pesquisa, hoje tornada pública, foi elaborada com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e do Fundo das Nações Unidas para a População.